terça-feira, 25 de setembro de 2012

KERIGMA O DESAFIO ÉTNICO




Por POR RONALDO LIDÓRIO
 
Era uma pequena aldeia africana rodeada por uma floresta pouco densa, palhoças construídas com barro e uma fogueira ao centro iluminando a noite sem lua. Ao redor do fogo, homens e mulheres enrolados em coloridos panos, dançavam freneticamente sob o ritmo forte e acelerado de dois tambores, tocados por homens negros com as faces pintadas de branco e enfeitados com cordas.
Estavam celebrando o “Khumem” – funeral – e assim 3 homens armados com arcos e flechas corriam ao redor do grupo gritando e mirando as flechas para todos os lados. A música cantada já é reconhecida por aquele povo há 1000 anos e os sons preferidos são roucos e estranhos, pois tal povo utiliza uma língua exótica e vive isolado do mundo exterior. Eles se auto-intitulam “Bisalyiins” e habitam essa região há séculos. Repentinamente, um homem bem mais alto que os outros se levante do meio do grupo e sai em silêncio até uma grande árvore, à esquerda. Ali toma 4 galinhas, 1 porco e 3 cabritos e os mata. Recolhe o sangue em pequenas cabaças e os leva até a aldeia, onde começa a proferir certas palavras enquanto molha um pano com o sangue e o passa nos umbrais das portas de cada palhoça. Continua este ritual até chegar a ultima palhoça onde derrama o restante do sangue colhido. Após isto, vira-se e começa a cantar, sozinho, bem baixo uma música que diz: “U Nyun ka cha linampaln bikapolechona” – “Os espíritos de morte não viram por uma semana”. Enquanto este homem voltava para o grupo que cantava, eu o parei no meio do caminho e lhe perguntei: “Quem lhes ensinou a usar o sangue desta forma?” “Quando Uwumbor era Deus” – começou ele a dizer – “Não precisávamos temer os espíritos. Desde que nossos ancestrais vieram para estas terras tivemos que aprender a usar o sangue nas portas das pahoças, renovando a cada semana, para evita os “Nyunin”. Mesmo assim o nosso povo continua opresso e morrendo”.
O que a Igreja redimida de Jesus Cristo tem a ver com povos tão distantes, pequenos e estranhos a nós como os Bisalyiins , uma subetnia Konkomba?
Como um povo tão isolado, mesmo sem conhecimento da Revelação escrita, possui consciência da existência de Uwumbor – “O Deus que governa?” Por que usam o sangue nos umbrais das portas em uma vã tentativa de não estarem à mercê dos “Nyunin” – espíritos da morte? Qual a responsabilidade que nós, biblicamente, possuímos para com povos como este?

Nossa Motivação é o Cordeiro Jesus

A História das Missões registra a vida e morte de grandes mártires. Alguns, porém o foram sem reconhecimento histórico. Durante a época da grande expansão moraviana um pequeno grupo de crentes chegou à África do Sul no intuito de evangelizar as tribos da região. O exército inglês, que controlava todas as entradas e saídas, negou-se a dar escolta a este grupo com tão estranhos objetivos. Entretanto, mesmo sem escolta, eles adentraram as regiões tribais e nunca mais voltaram.
Os moravianos , por indício histórico, quando eram questionados sobre o que estavam fazendo e onde estavam fazendo e onde estavam indo, tinham sempre  a mesma resposta: “Estamos indo buscar para o Cordeiro o galardão pelo sacrifício d’Ele”. E realmente foram. Alcançaram as ilhas virgens, Groelândia, América do Sul e do Norte, Lapônia, África do Sul e muitos outros lugares no mundo.
Recentemente, alguns missionários chegaram a uma aldeia ao sul da África em uma região íngreme e de difícil acesso onde perceberam entre o povo alguma influência missionária do passado. Chegando ao centro de uma das aldeias encontraram, em baixo relevo, a figura de um cordeirinho carregando a cruz. Este era o símbolo moraviano e eles certamente haviam chegado também até ali!
O que movia tal atitude entre este povo que em apenas um século espalhou o evangelho do Senhor em longínquas regiões do mundo? Sem dúvida uma paixão ardente pelas almas perdidas, uma convicção da Missão da Igreja e uma visão étnica de que todos os povos da terra necessitam individualmente do evangelho do Reino. È a visão que necessitamos!

Nossa Comissão Abrange Todas as Etnias

Em Mt 24:14 vemos a afirmação de Jesus dizendo: “...e será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações...”. Aonde o termo “nações” e “Ethne”, vindo daí “etnias” em português, que pode ser entendido como “grupos com sua própria língua, história e cultura”. Portanto, cada grupo étnico não alcançado sobre a face da terra é um desafio à Igreja de Cristo hoje.
Creio assim que Deus olha para o mundo interessado em mover a Sua Igreja para alcançá-los não em uma perspectiva simplesmente nacionalista (olhando para cada país), mas sim numa perspectiva étnica (olhando para cada povo). Olhemos rapidamente para o mundo desta forma!
Há no mundo hoje cerca d 23.500 grupos étnicos há povos com até 1 milhão de pessoas como é o caso dos chineses (Hans) como também grupos minoritários contendo menos de 40 pessoas como os Tiks-krô (com apenas 21 pessoas) ao sul de Burquina Faso.
Dentre  estas 23.500 etnias existentes, há cerca de 8.000 que ainda não foram alcançadas, ou seja, não possuem nenhum testemunho do evangelho ou uma igreja autóctone forte o suficiente para dar continuidade à expansão da fé naquela determinada região. Em geral, tais etnias não alcançadas são formadas por aborígines (povos que vivem em matas); grupos muçulmanos no norte da África e Oriente Médio; parte das etnias hindus e por várias outras budistas isoladas na região do Himalaia, ilhas do Pacífico, América Latina, em grandes centros urbanos como Dakar no Senegal e no centro, oeste e nordeste africano entre grupos animistas.
O desafio da Igreja hoje, portanto, encontra-se espalhado por matas, rochas, montanhas, desertos, ilhas e planícies remotas e grandes centros urbanos em países resistentes.

Nosso Desafio Abrange Todas as Línguas

O mundo possui hoje aproximadamente 6.400 línguas vivas, faladas por todos os grupos étnicos. Não trataremos dos dialetos minoritários ou sub-dialetos. Destas 6.400 línguas faladas no mundo, 4.000 não possuem as Escrituras em seu próprio idioma e 50% permanecem ainda ágrafas, e em geral, pertencentes a grupos minoritários com pouco ou nenhum contato com o mundo exterior.
 América do Sul e Central

Há grupos indígenas espalhados por toda parte do continente americano. Alguns em desertos (como no México), outros em montanhas (como na Cordilheira Andina) e ainda outros em selvas (como na Amazônia). Somente na América Central há cerca de 76 grupos indígenas com línguas próprias totalizando aproximadamente 3.500.000 pessoas. Três desses grupos estão em fase de extinção.
Na América do Sul há cerca de 368 grupos indígenas distintos etnicamente e ao menos 30 deles correm riscos de extinção. Em toda esta parte do continente americano encontramos grupos  (especialmente os minoritários) com gritante necessidade  do testemunho do evangelho tais como:
·       Os Samachique do México, que vivem (em grande parte) em cavernas no alto das montanhas, falam o Tarahumara além do Chinatu;
·       Os Quecchi, que vivem na Guatemala, descendentes dos antigos Mayas, falam o Kekchi e vivem de plantações;
·       Os Cogui da Colômbia, falam o Cogui, são animistas, vivem agricultura;
·       Os Cayapa na Bolívia falam o Chipaya, também são animistas, vivem da agricultura além do pastoreio de animais;
·       Os Mapuche do Chile, falam o Mapundungu, além de 3 outros dialetos. São pastores de ovelhas;
·       Os Miskitos na Nicarágua falam o Miskito além de outros 5 dialetos. São pescadores.

Amazônia

Em termos gerais possuímos cerca de 243 tribos distintas (ou etnias) em todo o Brasil especialmente no Amazonas, Pará, Mato Grosso, Amapá, Roraima e Goiás e, em grande parte, dentro da floresta amazônica. Destas tribos cerca de 100 já foram alcançadas pelo evangelho, 30 são indefinidas e mais de 114 permanecem não alcançadas ou com pouca exposição ao evangelho. Os missionários em tais regiões têm desenvolvido um trabalho surpreendente e realizado um esforço supra –humano para a permanência entre os indígenas apesar da grande pressão social e política brasileira. Há dezenas de grupos indígenas que necessitam urgentemente de um esforço missionário em sua direção como os Amanaye que falam o Tupi; os Arapaso que falam o Tukano; os Arawete que falam o Arawete; os Arikapu que falam o Aislada; os Assurini que falam o Tupi; os Cintra Larga que falam o Monde; os Guaja que falam o Guaja; os Guariba Maku que falam o Naded; os Iawano, no Acre que, provavelmente, falam o Pano; os Yuruna que falam o Juruna; os Kamayura que, também, falam o Tupi; os Kanamanti que falam o Arawa; os Kobari, na Amazônia, que falam o Yanomami; os Kohoro Xitares que falam o Yanomami; os Korobu que falam o Korobu ; os Kreye que falam o Macro-ie; os Massaka que falam o Massaka; Os Maya que falam o Pano; os Maopityagn, na Amazônia, que falam possivelmente o Aruak; os Menken que falam o Monde; os Mentuktire que falam o Kayapo; os Miguelenho que falam o Tupi; os Mirititi Tapuia que falam o Tukano; os Mura que falam o Mura; os Nukuini que falam o Nukuini; os Omagua que falam o Tupi-Guarani; os Pacu-Tapuya que falam o Aruack; os Parakana que falam o Tupi-Guarani; os Paranawat, em Rondônia , que falam possivelmente o Tupi; os Pida-Djapa que falam o Katukina; os Poyanawa que falam o Pano; os Puyobye que falam o Jê; Os Solomã, na Amazônia, que falam o Aruak; os Suriu que falam o Suriu; os Tora que falam o Tupi; os Tupari que falam o Tupi; os Uru-Eu-Wau-Wau que falam o Tupi; os Waimiri que falam os Karib; os Warikyana que falam o Karib; os Mayoro que falam o Tupari; os Xikrin que falam o Kayapo; os Yawalapiti que falam o Aruak; os Yepa-Maxsa que falam o Tukano e outros.
 

AGÊNCIA PRESBITERIANA DE MISSÕES TRANSCULTURAIS
IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL


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