quinta-feira, 23 de maio de 2013

2013: brasileiros trabalharam até este mês só para pagar os impostos do ano

Todos os seus salários de janeiro a maio vão servir para pagar os impostos de 2013. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), neste ano, serão necessários nada menos que 150 dias de trabalho para poder quitar as dívidas com o fisco. Isso representa, em média, 41,08% da renda bruta do trabalhador.
Na década de 70, eram necessários 76 dias. Na de 80, 77. Na de 90, 102. Segundo informa a Exame, o estudo Dias Trabalhados para pagar Tributos levou em conta a “tributação incidente sobre rendimentos, formada pelo Imposto de Renda Pessoa Física, contribuições previdenciárias e sindicais; tributação sobre o consumo de produtos e serviços, como PIS, COFINS, ICMS, entre outros e a tributação sobre o patrimônio, onde se incluem IPTU, IPVA. As taxas de limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e contribuições, como no caso da iluminação pública também são consideradas

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Igreja Reformada

 martinho Lutero - Reforma Religiosa
 Há muitas religiões no mundo, mas pouca pregação da verdade bíblica de que o homem está perdido em sua miséria, e que somente a graça soberana de Deus pode lhe proporcionar esperança e salvação.

No Brasil, há muitas igrejas, mas pouca pregação da graça soberana de Deus.  Onde a Bíblia prega a incapacidade total do homem de contribuir para a sua própria salvação, muitos substituem esta mensagem verdadeira por uma mensagem que afirma que o homem pode ganhar a sua salvação total ou parcialmente pelo seu próprio esforço. 

As Igrejas Reformadas entendem que tal mensagem é nada menos de que Catolicismo Romano reciclado.  Contra a religião humana da salvação pelas obras, as Igrejas Reformadas zelam por uma pregação da graça soberana de Deus, afirmando que a salvação é pela graça somente, recebida pela fé somente, em Cristo somente, e para a glória de Deus somente.  Reconhecemos que este Deus gracioso se revela, e revela Sua graça soberana e salvadora, somente nas Escrituras, que proclamam Cristo em toda página.


terça-feira, 7 de maio de 2013

SÍNTESE HISTÓRICA DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL

Por Alderi Souza de Matos
 
      Com fins didáticos, a história da IPB tem sido dividida em alguns períodos claramente delimitados. A seguir são apresentados os principais dados de cada um desses períodos.
 
1. Implantação (1859-1869)

      O missionário fundador da IPB, Ashbel Green Simonton (1833-1867), da Igreja Presbiteriana do Norte dos EUA (PCUSA), chegou ao Brasil em 1859. Nos anos seguintes, ele criou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro (1862), o jornal Imprensa Evangélica (1864), o Presbitério do Rio de Janeiro (1865) e o “Seminário Primitivo” (1867). Outras igrejas fundadas nesse período foram as de São Paulo, Brotas, Lorena, Borda da Mata e Sorocaba. Chegaram novos obreiros, como Alexander Blackford, Francis Schneider e George Chamberlain, e foi ordenado o primeiro pastor nacional, José Manoel da Conceição (1822-1873).

2. Consolidação (1869-1888)

      Em 1869, chegaram os primeiros missionários da Igreja do Sul dos EUA (PCUS), George N. Morton e Edward Lane, que se estabeleceram em Campinas. Os missionários da PCUS evangelizaram a região da Mogiana, o oeste de Minas, o Triângulo Mineiro e o sul de Goiás. Também atuaram no Nordeste e no Norte, de Alagoas até a Amazônia. Os principais foram John R. Smith, John Boyle, DeLacey Wardlaw e George W. Butler. Por sua vez, os missionários da Igreja do Norte atuaram na Bahia e Sergipe e no sudeste-sul (do Rio de Janeiro a Santa Catarina). Em 1870, o Rev. Chamberlain fundou a Escola Americana de São Paulo, precursora do Mackenzie College, e em 1873 Morton e Lane criaram o Colégio Internacional, em Campinas. Entre os pastores nacionais desse período estiveram Modesto Carvalhosa, Antônio Trajano, Miguel Torres, Antônio Pedro de Cerqueira Leite, Eduardo Carlos Pereira, Zacarias de Miranda e Belmiro César. As igrejas-mães também enviaram educadoras como Mary Dascomb, Elmira Kuhl e Charlotte Kemper.

3. Dissensão (1888-1903)

      Em setembro de 1888 foi organizado o Sínodo, composto de três presbitérios, 20 missionários, 12 pastores e 60 igrejas. A IPB tornou-se autônoma, desligando-se das igrejas norte-americanas. O Seminário começou a funcionar em Nova Friburgo e depois se transferiu para São Paulo. O Mackenzie College foi criado em 1891, sendo seu primeiro presidente o Dr. Horace Manley Lane. Por causa da febre amarela, o Colégio Internacional foi transferido de Campinas para Lavras, e mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon. A cidade de Garanhuns começou a tornar-se um grande centro da obra presbiteriana no Nordeste. Foram lançadas as bases de duas importantes instituições: o Colégio Quinze de Novembro e o Seminário do Norte. No final desse período a Igreja Presbiteriana chegou ao Pará, ao Amazonas e a Santa Catarina. A igreja também iniciou a ocupação do leste de Minas. Em 1903, o Rev. Eduardo Carlos Pereira e seus companheiros fundaram a Igreja Presbiteriana Independente.

4. Reconstituição (1903-1917)

      Em 1906 o Sínodo contava com 77 igrejas e cerca de 6500 membros. Em fevereiro de 1907, o Seminário foi transferido para Campinas, ocupando a antiga propriedade do Colégio Internacional. No mesmo ano, o Sínodo dividiu-se em dois (Norte e Sul) e em 1910 foi organizada a Assembléia Geral, tendo como primeiro moderador o Rev. Álvaro Reis. Nessa época, a IPB já estava com 10 mil membros comungantes e cerca de 150 igrejas, em sete presbitérios. Em 1911, a igreja enviou a Portugal o seu primeiro missionário, Rev. João Marques da Mota Sobrinho. A Missão Sul da PCUS passou a atuar em duas frentes: Missão Leste (Lavras) e Missão Oeste (Campinas). O Rev. William Waddell fundou uma influente escola em Ponte Nova, na Bahia. Teve início a obra presbiteriana no Mato Grosso: os pioneiros foram Franklin Graham (1913) e Filipe Landes (1915). Em 1917, foi aprovado o Modus Operandi, um acordo entre a igreja brasileira e as missões norte-americanas pelo qual os missionários desligaram-se dos concílios da IPB, separando-se os campos nacionais (presbitérios) dos campos das missões.

5. Cooperação (1917-1932)

      O maior líder desse período foi o Rev. Erasmo Braga (1877-1932). Em 1916, ele participou com dois colegas do Congresso da Obra Cristã na América Latina, no Panamá. Poucos anos depois, tornou-se o secretário da Comissão Brasileira de Cooperação, entidade que liderou um grande esforço cooperativo entre as igrejas evangélicas do Brasil. Foi fundado no Rio de Janeiro o Seminário Unido. Outros esforços cooperativos do período foram o Instituto José Manoel da Conceição, fundado pelo Rev. William Waddell em Jandira, perto de São Paulo (1928), e a Associação de Catequese dos Índios (1928), depois Missão Evangélica Caiuá, em Dourados (MS). Em 1921, o Seminário do Norte foi transferido para Recife. Os principais periódicos presbiterianos eram O Puritano e o Norte Evangélico. Em 1921 morreu o Rev. Antônio Bandeira Trajano. Com ele desapareceu a primeira geração de obreiros presbiterianos no Brasil. Vários pastores deram valiosa contribuição de ordem intelectual e literária: Antônio Trajano (Álgebra Elementar), Eduardo Carlos Pereira (Gramática Expositiva), Otoniel Mota (O Meu Idioma) e Erasmo Braga (Série Braga).

6. Organização (1932-1959)

      Nas décadas de 1930 a 1950, a IPB aperfeiçoou a sua estrutura, criando entidades voltadas para o trabalho feminino, a mocidade, missões nacionais e estrangeiras, literatura e ação social. Em 1940 foi organizada a Junta Mista de Missões Nacionais, com representantes da igreja e das missões norte-americanas. Em 1944 surgiu a Junta de Missões Estrangeiras e em 1950 foi criada a Missão Presbiteriana da Amazônia. Também houve a criação da Casa Editora Presbiteriana (1945). Neste período, a IPB participou de vários outros movimentos cooperativos: Associação Evangélica Beneficente, Confederação Evangélica do Brasil, Sociedade Bíblica do Brasil, Centro Áudio-Visual Evangélico. Em 1957 a IPB contava com seis sínodos, 41 presbitérios, 489 igrejas, 369 ministros, 89.741 membros comungantes e 71.650 não-comungantes. O período terminou com a comemoração do centenário do presbiterianismo no Brasil. A Campanha do Centenário foi lançada em 1946. Realizou-se uma grande campanha evangelística em 1952. Outras medidas foram a criação do Museu Presbiteriano, do Seminário do Centenário e do jornal Brasil Presbiteriano (1958), resultante da fusão de O Puritano e Norte Evangélico. O lema do centenário foi: “Um ano de gratidão por um século de bênçãos”.
 
7. Polarização (1959-1986)
 
      Nesse período, a igreja sofreu o forte impacto dos acontecimentos políticos ocorridos no Brasil, que resultaram no regime militar (1964-1984). Intensificou-se a polarização entre conservadores e progressistas que já vinha se manifestando há alguns anos. Os conservadores, defensores da teologia reformada tradicional, foram vitoriosos nesse confronto quando o Rev. Boanerges Ribeiro foi eleito presidente do Supremo Concílio, e reeleito duas vezes, a única vez em que isso ocorreu na história da IPB (1966-1978). Boanerges foi sucedido por Paulo Breda Filho (1978-1986), o único presbítero a ocupar o cargo maior da igreja. Ao lado de grandes tensões, também houve desdobramentos construtivos como a transferência da Universidade Mackenzie para a IPB, a ampliação do trabalho de missões nacionais e estrangeiras, o aumento significativo do número de igrejas e concílios, e o crescimento numérico da denominação, que se aproximou da marca de meio milhão de membros comungantes e não-comungantes.
 
8. Período atual
 
      Nas últimas décadas a IPB continuou a crescer e a diversificar as suas atividades. O ambiente político e teológico tornou-se mais conciliador, num ambiente de crescente pluralismo, mas ainda persistem tensões latentes. A igreja sofre o impacto dos novos movimentos que tem afetado o protestantismo brasileiro, especialmente nas áreas litúrgica e doutrinária. O neopentecostalismo tem exercido fascínio sobre muitos pastores e comunidades. No aspecto positivo, destacam-se a maior preocupação com a educação teológica, a criação de vínculos com igrejas reformadas ao redor do mundo, o investimento em missões transculturais, o notável crescimento na área de publicações e a utilização dos meios de comunicação de massa, como a televisão e a Internet.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Reforma Protestante e a Tradução da Bíblia

 
 
Introdução


A Reforma Protestante do século XVI foi sem sombra de dúvidas um movimento sócio-político. Como tal representou o rompimento com os poderes absolutos de Roma. Porém, mais que um movimento sócio-político, foi um movimento de renovação espiritual, de retorno aos princípios ensinados por Jesus e seus apóstolos.

Os clássicos sola (sola Scriptura, sola gracia, sola fide, etc.), marcaram os pilares do movimento da Reforma. Neste artigo, quero enfocar um destes pilares e afirmar a sua importância para o movimento missionário subseqüente. Trata-se de Sola Scriptura.


1. A tradução da Bíblia antes da Reforma
Traduzir a Bíblia de suas línguas originais para línguas vernáculas sempre foi uma prática do povo de Deus. Antes mesmo de o Novo Testamento ser escrito, o povo judeu já havia traduzido o Velho Testamento para a língua Grega. Esta tradução ficou conhecida como Septuaginta ou versão dos setenta. Nos primeiros séculos da igreja cristã a Bíblia inteira foi traduzida para línguas como siríaco, armênio, latim, gótico, etíope, etc.
Com o fortalecimento da igreja no ocidente e a adoção do latim como língua da igreja, o processo de tradução ficou esquecido. Anglada, falando sobre o assunto diz: "A Igreja Católica havia se dado por satisfeita com a versão latina de Jerônimo e não estimulava sua tradução para outros idiomas, por considerar a Bíblia um livro obscuro e não apropriado para ser lido por leigos"1

Assim, a Igreja Católica passou a usar quase que exclusivamente o latim. Como o povo comum não falava esta língua nem a entendia, a compreensão do texto bíblico passava totalmente pelas mãos do clero. Os padres liam e interpretavam, à sua maneira, os ensinos sagrados. Nesse período, o que a igreja dizia tinha peso igual ou maior ao que a Bíblia dizia.


2. A Reforma e novas traduções
Lutero, Calvino e outros defendiam as Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática para todos os cristãos. Havia porém um problema. Como o povo poderia ler e interpretar as Escrituras se elas estavam acessíveis quase que somente em latim ou em suas línguas originais? Foi então que um esforço enorme pela tradução da Bíblia foi feito. Neste período inúmeras traduções surgiram. Lutero mesmo traduziu as Escrituras para o alemão. A sua tradução foi tão importante para o povo do seu país que estudiosos têm considerado Lutero como o pai da língua alemã. Um primo de Calvino traduziu a Bíblia para o Francês. A famosa versão King James foi produzida na Inglaterra, o sínodo de Dort, na Holanda, promoveu a tradução para o holandês. Meio século mais tarde, mas ainda como fruto da Reforma, João Ferreira de Almeida traduziu a Bíblia para a língua Portuguesa. Desde então, centenas de línguas têm recebido o texto sagrado.


3. A tradução da Bíblia e a expansão do Evangelho
Foi o acesso à Bíblia traduzida e sua comparação com os ensinos da igreja de Roma que provocaram as maiores perdas no rol de membros da Igreja Oficial. À medida em que as pessoas descobriam o verdadeiro ensino bíblico se rebelavam contra todo e qualquer ensino que o contradissesse. Não é à toda que a igreja de Roma tenha feito um esforço enorme para destruir cópias das Escrituras traduzidas. A tradução para línguas de povos considerados não-cristãos, também provocou um grande avanço do evangelho em países como Índia, China, Coréia, etc.

Mais recentemente, as organizações Wycliffe para tradução da Bíblia (fundada por um presbiteriano) e as diversas Sociedades Bíblicas têm produzido traduções em muitas outras línguas do mundo.
A Reforma mostrou que não pode haver verdadeiro cristianismo sem acesso às Escrituras. Mostrou também que somente as Escrituras devem ser a regra de fé e prática para o cristão.


4. Povos sem a Bíblia
Apesar de todo o esforço por parte dos Reformadores, hoje, em pleno século vinte e um, há ainda mais ou menos 3 mil línguas sem qualquer tradução das Escrituras, nem sequer João 3:162. Creio piamente que é tarefa da nossa igreja traduzir e promover as Escrituras para essas línguas. Aliás, isso está assegurado na nossa Confissão de Fé, que diz:

"O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo estas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las, estes livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem..." (Art. VIII).

Meu coração se alegrou sobremaneira ao ver a Agencia Presbiteriana de Missões Transculturais reconhecer a importância desse ministério e considerar a tradução da Bíblia como um dos pilares de atuação da nossa igreja.


5. Projeto Na'iruz
Cumprindo a nossa Confissão de Fé, estamos envolvidos na área de tradução da Bíblia. O nosso projeto chama-se projeto na'iruz (lê-se nairúi). Esta é uma palavra que vem da língua Guajajara, falada pelo povo do mesmo nome, tribo indígena do Maranhão. Ela significa simplesmente "três". Nosso projeto tem esse nome porque queremos promover as Escrituras na língua de três povos indígenas na divisa dos estados Pará e Maranhão. O leitor que desejar uma descrição detalhada do projeto pode nos escrever solicitando uma cópia 

(lauenorval@hotmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email )
6. Plantação de igrejas e a tradução da Bíblia
A ênfase que os Reformadores deram ao uso das Escrituras nas línguas vernáculas pode ser considerada como um dos maiores ganhos para a cristandade, tanto do ponto de vista educacional e cultural, como de uma perspectiva missionária. Quantos não aprenderam a ler porque queriam ler as Escrituras. Quantos não se tornaram crentes ao lerem alguma porção bíblica. Quantas não são as histórias de colportores no Brasil que ganharam centenas de pessoas para o Senhor simplesmente por venderem-lhes a Bíblia.

Finalmente, promover o acesso do povo à Bíblia em sua língua materna deve ser uma tarefa prioritária em nosso empreendimento missionário. Plantar uma igreja e não promover o acesso dessa igreja às Escrituras na língua materna do povo é correr o risco de ver essa igreja nunca amadurecer, ou ainda pior, enveredar por tradições e costumes que não só não estão contidos no texto bíblico, mas ainda o contradizem. Portanto, para cada programa de plantação de igreja, deve haver um programa simultâneo de tradução das Escrituras.

"A fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus". Rom. 10:17.

Sola Scriptura!

Mais uma música "gospel" cheia de heresias


Volta e meia Thalles Roberto aparece nas minhas postagens. Já tava demorando… Sei que muitos até duvidam, mas, eu o ouço e gosto de algumas de suas canções – ouvi-lo cantar clássicos das músicas cristãs no álbum Raízes (2010) não tem igual – o problema é que por estar onde estar, talvez por ter sido mal discipulado, ele acaba por merecer algumas considerações.
No último post sobre sobre ele escrevi que se ‘ele apenas cantasse seria menos pior’. Minha sugestão abordou sobre suas equivocadas declarações feitas em pregações, testemunhos e entrevistas, a respeito do evangelho: “Se fosse um deslize, uma frase mal colocada, uma expressão infeliz, até que dava pra relevar, mas… não. Não é tão simples assim”, escrevi.
O que tem me chamado atenção agora é o recente vídeo lançado pela Graça Music “Filho Meu” cujo Thalles fala na primeira pessoa demonstrando uma tentativa do próprio Deus de se relacionar com um suposto FILHO, porém ainda não convertido.
Não julgo a intenção da música, pode até ter sido boa, mas, sinceramente tanto ela quanto o vídeo foram (para mim) de uma péssima fundamentação teológica, pobreza musical e de uma desqualificação da soberania e onipotência de “Deus” nunca vista antes.
Comentando a letra:
“Filho meu
Ta fugindo de mim, é?
Ja tentei, procurei e outra vez
Você me rejeitou, porta na cara doeu…”
1) A Palavra nos ensina que é Deus quem realiza tanto querer quanto o efetuar na vida de todos nós. (Fp 2.13). Charles Spurgeon bem disse que a Graça de Deus não viola a vontade humana, mas triunfa docemente sobre ela. Sinceramente não consigo compreender esse “Deus” da canção que tanto PROCURA,TENTA e não consegue realizar sua vontade, e além disso ainda leva porta na cara e sente a dor pela rejeição.
“ Filho meu
Ta correndo de mim, é?
Ontem eu me lembrei
De uma antiga oração
Que você fez no monte
Lembra filho? Eu chorei!”
2) Não dá pra encontrar nas Escrituras um “Deus” que tem esporádicas lembranças de orações e se põe a chorar porque se sente rejeitado por alguém. Esquizofrenia e complexo de inferioridade, não dá né?
“Eu acho que paguei
Um preço alto demais
Eu tenho tantas coisas
Pra viver com você
Promessas e promessas
Arquivadas te esperando, filho!”
3) Este trecho acima é um retrato do que ultimamente tem ocorrido com muitas das canções evangélicas: a centralidade no homem. A infelicidade do Thalles foi tanta que se prestarmos bem atenção, as palavras compostas por ele montam a ideia de um “Deus” que se humilha e tenta reatar o relacionamento a partir de uma barganha: oferece coisas boas para viver, “Promessas e Promessa” para que o pecador se volte para Ele. Note que em nenhum momento há o convite ao arrependimento, nem a verdade cristã que o caminho de Deus não é um “mar de rosas”!
(Uma pergunta ainda fica no ar: “Deus arquiva promessas”? #CUMÉISSO?)
“Você ta dirigindo cego
Em alta velocidade
Daqui de cima eu vejo
A pancada que vem
Então passa sua vida pro meu
Nome que eu assumo tudo
Tudo, tudo, tudo”
4) Afinal, esse FILHO da canção é convertido ou convencido? Note, nas estrofes acima “Deus” se refere a um filho, tanto é que o chama assim. Agora me parece que ele ainda não é, já que acima “Deus” diz: “passa sua vida pro meu nome”, deixando a entender que ainda não há filiação entre ele e o personagem FILHO. Veja a próxima estrofe:
“Faz o seguinte, oh
Levante a mão agora
E me aceita
Como o seu salvador
Depois me abraça
E a gente vence
Junto essa parada”
Acima, “Deus” faz um apelo ao personagem e definitivamente revela que ele não era FILHO como mencionou as duas primeiras estrofes; além do mais, este convite de “Deus” não traz a consciência de pecado e a condição de arrependimento, do contrário, ratifica que é um convite a vitória e ao deleite das promessas “arquivadas”.
Quanta irrelevância e confusão para uma só canção.
Lamento dizer. Senti pena desse “Deus” da canção. Um “Deus” que implora, oferece promessa arquivada, leva porta na cara e sente dor na rejeição.
A Palavra diz que Cristo morreu pelos Seus, viu o fruto penoso do seu trabalho e ficou SATISFEITO (Isaías 53:10-11). Deus NÃO está implorando por ninguém. É o próprio Deus quem chama, traz e abre a porta. As Suas ovelhas ouvem a Sua voz e o seguem, e ninguém as arrebatará das mãos dEle (Jo 10.27-28).
P.S.: Sem falar que a música (pra mim) é uma das piores que ouvi no meio Gospel.
***
Arte de Chocar

sábado, 4 de maio de 2013

JOHN KNOX



1. Primeiros Anos de Vida
1513 – Data mais provável do seu nascimento. Nasceu no povoado de Haddington às margens do rio Tyne cerca de trinta quilômetros da capital Edimburgo. Veio de uma família de classe média a qual lhe proporcionou uma educação razoável nos moldes daquela época. John perdeu sua mãe quando ainda era criança. Seu pai William Knox logo veio a se casar. Ao que parece o seu período de infância e adolescência foram normais tendo o seu caráter forjado sobre normas e princípios rígidos e certa rusticidade fazia parte de seus traços. Certamente não era para sua época considerado um “gentleman”, traço esse que se evidenciou por toda a sua vida, mesmo quando veio a convier com a nobreza.
2. Contexto Político e Religioso
É impossível se falar de um reformador sem falar do seu contexto político e religioso. Os escoceses são por natureza, patriotas ferrenhos. São amantes da liberdade há tanto tempo adquirida. Eles já estavam politicamente independentes há dois séculos, todavia, eram politicamente pressionados por sua vizinha à Inglaterra que era oito vezes mais populosa e consequentemente mais rica. Quanto ao contexto religioso, não podemos fechar os olhos à devastadora corrupção que lavrava a igreja naqueles dias. O clero era depravado e rico, o povo era explorado, a Escritura ignorada, as superstições e crendices dominavam as mentes e asfixiava a fé genuína. Os bispos e cardeais se curvavam aos ditames papais a fim de assegurar benefícios vultosos para si próprios e para seus descendentes. Crê-se que na época havia a igreja abocanhada metade da riqueza do país e tão grande era o domínio que exercia que a nação corria o perigo de perder a própria independência, subjugada ao poder papal. Nesse contexto que se levanta o amante de Deus e da Escócia.
3. Seus Estudos e a Influencia
Decidido a ser padre, primeiro estudou na escola preparatória a fim de receber sólido ensino de Latim, a língua da cultura e do intercambio social, (como o inglês hoje) ingressando posteriormente na universidade de Saint Andrews para formação acadêmica. Foi ali que teve conhecimento das reformas que ocorriam por toda Europa sobre as orientações do seu mestre e orientador John Major. A maioria dos estudantes era simpatizante pela causas reformistas, mas as discursões eram feitas com muita cautela para não ocorrer no desagrado dos cardeais e sofrer penosas punições. Em suas leituras e estudos teve contado com os escolastas (que vai de Agostinho no fim do século IV a Tomás de Aquino século XIII) passando para os patrísticos (os primeiros escritores da igreja como policarpo que morreu por sua fé) e nestes encontrou luzes que lhe alargaram os horizontes e o levaram a mais questionamentos sobre as práticas vigentes da igreja. Práticas essas que à medida que Knox ia estudando as Escrituras ia recebendo conforto quanto às mentiras que o atormentavam e firmando cada vez mais suas convicções quanto aos erros que a igreja outrora andava.
4. O Martírio de Patrick Hamilton
Em 29 de fevereiro de 1528 houve um acontecimento que deve ter chocado muito o jovem Knox que na época tinha quinze anos. Esse acontecimento foi à infame e vergonhosa execução do nobre clérigo Patrick Hamilton. Esse jovem estudou em Paris e na Alemanha onde teve o contato com as idéias protestantes que inundavam a Europa. Depois de um acerado debate com o arcebispo James Beaton. Este (como era de se esperar) foi condenado à fogueira. A declaração da sentença e a execução foram no mesmo dia, pois temiam que seu irmão à frente de alguns simpatizantes conseguisse livrar o rapaz. Apesar de morrer de forma lenta (seis horas) em momento algum perdeu a sua compostura e se manteve firme a sua fé morrendo como um herói tornando-se o primeiro mártir da reforma escocesa. O propósito da execução era trazer pavor àqueles que sustentavam essas idéias reformistas, no entanto, o caso trouxe mais confusão ainda, pois os acontecimentos trouxeram revoltas por toda a Escócia que já não agüentava mais o domínio autoritário da igreja católica. É razoável pensar que esse acontecimento fortaleceu ainda mais as convicções do jovem Knox. Alguma coisa tinha que ser feita.
5. O Martírio de George Wishart
Wishart a exemplo de Patrick também foi muito influenciado pela reforma que ocorria em quase toda Europa. No entanto, ao contrário de Patrick a sua influencia fora mais de linha reformada tendo como seu principal mentor Zwínglio que fora sucedido posteriormente por Calvino. Wishart empreendeu abençoada campanha de pregação pelas cidades da costa leste do país e John Knox tornou-se um dos seus principais discípulos. Ambos tinham praticamente a mesma idade. Knox se tornou um grande admirador desse reformador de tal modo que esse se tornou uma grande inspiração para sua vida e luta. Wishart foi condenado à fogueira pelo insidioso cardeal Beaton no último dia de fevereiro (1546) data que marcava o décimo oitavo aniversário da execução de Patrick Hamilton (Knox tinha 33 anos). A piedade Wishart era tão visível que o carrasco que estava encarregado de queimá-lo não só relutava em levar acabo tão dura tarefa como também se ajoelhou diante de Wishart pedindo-lhe perdão. Knox amava e admirava tanto esse grande reformador que andava com uma espada a fim de proteger o seu amigo de qualquer eventual tramóia. Ele só não foi preso com Wishart porque este o persuadiu a entregar sua espada insistindo que o sacrifício de um somente era necessário. Todos esses acontecimentos devem ter chocado e muito o espírito desse eminente reformador.
6. Acontecimentos Depois da Morte de George Wishart
A insatisfação advinda na Escócia não vinha somente do clero piedoso, mas dos nobres que se sentiam insatisfeitos com o domino cada vez mais crescente da igreja “católica” que nessa época já era dona de quase a metade da Escócia. Muitos desses nobres viam em George Wishart o vislumbre para a libertação religiosa da escócia (pelo menos nos moldes em que era conduzida a questão). Com a morte de George Wishart aflorou uma revolta no coração de alguns nobres que o vingaram entrando no castelo do cardeal Beaton e o mataram. Esses acontecimentos trouxeram logicamente graves conseqüências. Os nobres assassinos e outros que se firmavam na mesma ideologia tomaram conta do castelo e fizeram do mesmo um tipo de fortaleza. Nesse ínterim as famílias desses nobres convidaram John Knox a pregar naquela cidade com a intenção de que ouvindo os moradores às suas mensagens impetuosas se libertassem completamente do julgo católico conseguindo assim mudar a situação. Knox se sentiu encurralado não encontrando outra opção senão atender a tal convite sabendo que o seu fim poderia ser como o Patrick Hamilton e George Wishart. O clérigo conseguiu apoio dos franceses e tomou o castelo levando todos presos inclusive o jovem pregador John Knox. Os nobres tiveram um tratamento melhor do que aqueles que não eram de tal linhagem, pois estes foram obrigados a trabalhar como galés (trabalhos forçados com remos) dos navios franceses.
Knox amargou nesse trabalho escravo por um ano e seis meses (agosto de 1547 a fevereiro de 1549). É importante frisarmos que durante todo esse tempo o nosso ilustríssimo patriarca não desmaiou em sua fé por um instante. Por mais obediente e trabalhador que era, enquanto na condição de escravo, e mesmo sofrendo muito com isso, pois não era acostumado a tal trabalho, não se dobrava as imposições religiosas. Nas noites de sábados quando nos exercícios religiosos era cantada a “Salve Rainha’, uma referencia a Maria, Knox e os demais escoceses cobriam a cabeça com qualquer coisa que estive a mão como sinal de repúdio. Em dada época trouxeram um quadro de “Nossa Senhora” para que todos o beijassem e John Knox recusou-se a beijá-la e quando o oficial e dois guardas quiseram forçá-lo com violência, imediatamente ele agarrou aquele quadro e o jogou no rio, exclamando irônico: “Nossa Senhora que se salve”. Ela é bem leve. “Aprenda a nadar”.
Não há relato de que fora punido por isso. Provavelmente o comandante não quis dar muita atenção ao ocorrido para manter a calma entre a tripulação. O comandante do navio não era ninguém menos que Nicolau Durant de Villegagnon que trouxera em 1557 um navio cheio de calvinista ao Brasil, mais especificamente na Baía de Guanabara. Esse comandante recebeu o título de Caím das Américas devido a sua traição aos protestantes que estavam sobre sua guarda bandeando para o lado dos católicos e resultando assim na expulsão desses irmãos e na morte de sete calvinistas na baia de Guanabara.
7. Contribuição de John Knox à Reforma na Inglaterra
Devido à situação desfavorável que se lhe impunha para voltar à Escócia John Knox se vê forçado a refugiar-se na Inglaterra. Era ali um país favorável a um clérigo com espírito reformista como ele. Nesta época o país não estava debaixo do jugo papal, devido aos atritos ocorridos entre o papa Clemente VII e o rei Henrique VIII, por este não querer anular o casamento do rei. Knox ficou em solo inglês por cinco anos. Devido à abertura religiosa em que se encontrava a Inglaterra nessa época ele pode causar grande influencia naquela nação chegando a se tornar um dos seis capelães da corte. Em Newcastle exerceu um ministério ainda mais destacado conseguindo banir as imagens das igrejas desarmando os altares votivos (daqueles que faziam votos) eliminou os rituais pomposos, simplificou a liturgia, a amenizou as penitencias da quaresma (não sendo imposta questão como não comer carne, por exemplo). No entanto, depois da morte do jovem rei Eduardo VI e a subida ao trono de sua irmã Maria Tudor que recebera dos historiadores o “carinhoso” apelido de MARIA SANGUINÁRIA por levar a fogueira nada menos do que trezentas vitimas que apoiavam a reforma. Diante das dificuldades que se levantara viu-se forçado a fugir para Genebra onde se encontrara com Calvino. Enquanto esteve em Genebra escreveu cartas tanto à rainha quanto aos seus correligionários denunciando de forma enfática os seus erros para com a pátria e seus patrícios e a verdadeira religião. Knox era um inconformista nato. Em Genebra burilou mais ainda suas convicções teológicas junto a Calvino e Heinrich Bullinger o renomado teólogo e historiador suíço. Ele fora convidado a pastorear os refugiados ingleses em Frankfurt, na Alemanha. Ficou ali apenas um ano (1554-1555), pois tivera muito desgaste com os refugiados ingleses que queriam manter muitos dos rituais católicos, apesar de que o principio reformado acabou prevalecendo.
8. O Casamento de John Knox e os Primeiros Passos Para a Reforma Escocesa
Antes de fugir para Genebra por causa das investidas da rainha Maria Tudor (Maria sanguinária) John Knox havia ficado noivo no verão de 1552 com a jovem Marjorie Bowes. Devida as grandes dificuldades impostas naquele período, Knox teve que adiar seu casamento por três anos. Depois do frustrado ministério em Frankfurt, ele foi convidado por Calvino a pastorear uma pequena igreja de refugiados ingleses. Mas mal começara o seu ministério recebeu uma carta de sua sogra dizendo que seu marido havia morrido e que ele deveria voltar à Escócia e consumar o matrimonio que já não era sem tempo. Essa carta muito perturbou o reformador. Ele sabia que a situação política na escócia não favorecia as suas idéias reformistas, entretanto, a angustia de viver a tanto tempo sozinho sem uma companheira (já era um quarentão) e a saudade da amada pátria, pois já se passara oito anos que Knox havia ido embora, lhe deram forças para voltar.
Em fins de agosto de 1555 (não pastoreou nem dois meses a pequena igreja) Knox retorna para Escócia e oficializa o seu casamento. É lógico que Knox não foi para lá simplesmente para casar e viver uma vida pacata conformada com a triste realidade política e religiosa em que vivia a sua amada pátria. Logo após seu casamento Knox percebeu que havia entre o povo e principalmente entre os jovens um espírito aberto a novas idéias. Pôs-se logo em contato com personalidades do ambiente político e social procurando granjear os antigos amigos que eram simpatizantes das idéias reformistas e logo já estava pregando com aquele espírito de profeta. Ele fora desafiado pelos bispos da região, mas estes temendo represaria do povo, não quiseram ir adiante com suas contestações. Muitos dos nobres haviam aderido às idéias reformistas de Knox entre eles estava William Keith tido por muitos como o mais rico dos escoceses de seu tempo. Por influencia desses nobres Knox escreveu uma carta à rainha Maria de Guise onde louvava a rainha pelos esforços empreendidos que haviam beneficiado a Escócia (observe que seu trato é mais polido agora do que no passado), mas, todo o seu esforço não teria valor algum se continuasse a apoiar uma religião corrupta. Dizia ele: “a igreja é a base primeira de todas as importantes medidas que visaria uma mudança total na nação”. Essa carta não agradou a rainha ela o achou muito petulante um perfeito idiota. Knox ficou muito magoado com a atitude da rainha e achou que deveria voltar para Genebra. A escócia ainda não estava preparada para reforma. Muitos progressos haviam sido alcançados, mas ainda não era à hora. Tudo o que esse reformador já havia passado lhe trouxe a tremenda lição de que a tempo para tudo debaixo de céu.
9. O Amadurecimento Teológico de John Knox
Mal chegará a Genebra Knox recebera uma convocação que lhe era dirigida pelas autoridades eclesiásticas de Edimburgo para responder as acusações de herege que lhe haviam feito. Knox ignorou tal convocação. Já que não comparecerá queimaram uma imagem sua em praça publica com o propósito de intimidar seus seguidores.
Em Genebra trabalhou como pastor de refugiados ingleses. Pregava três ou mais vezes por semana, sermões que no espírito da época duravam duas, até três horas. Dedicou se aos estudos de teologia, grego e hebraico. Agora aproveitou para estar mais tempo com Calvino absorvendo mais de seus préstimos saberes. Mas a lembrança da amada escócia não lhe saia da cabeça e os seus admiradores não lhe davam trégua inundando Genebra de cartas e mensagens, obrigando o reformador a constante atenção aos problemas vividos na escócia.
10. As Cartas Bombásticas de John Knox
John Knox nunca foi conhecido por sua delicadeza ou por seu tato diplomático e isso não lhe trouxe boas conseqüências. Ele não media as palavras. Entre essas cartas bombásticas citaremos algumas:
O Primeiro Clangor de Trombeta Contra o Monstruoso Regime Feminino. Ele denuncia os males sobrevindo à nação, atribuindo-os, sobretudo ao erro de um governo exercido por mulher. As bases do seu argumento eram um reflexo do pensamento machista da época, ensino bíblico, o direito romano e a opinião dos pais da igreja. Ele dizia que um governo exercido por mulher contraria a natureza, viola a razão, ofendia a Deus, feria o bom senso, infringia os ditames da tradição e dos costumes observados universalmente. Esse panfleto não deve ser visto simplesmente como um desabafo machista, afinal, as mulheres eram as principais responsáveis pelo insucesso da Reforma na Inglaterra e na Escócia. Maria Tudor aniquilou todo o processo de reforma começada na Inglaterra, Maria de Guise, impedia qualquer avanço da reforma na Escócia e sua filha Maria Stuart que veio a substituí-la seguiu os mesmos passos da mãe. De fato a sua experiência com um regime governado por mulheres tinha sido as piores.
Rogativa. Dirigida a regente Maria de Guise. Uma carta sem muita polidez insistindo quanto à necessidade uma reforma na igreja para o bom andamento da nação.
Apelo. Endereçada a nobreza da pátria. Nessa carta ele defende seus ideais demonstrando a imprudência de sua condenação feita pelos injustos bispos escoceses.
A Carta ao Povo em Geral. Mensagem destinada ao povo em geral com o propósito de desapertá-los para o interesse do país.
Mesmo fora do país Knox não se esqueceu dos seus sonhos para a sua nação. Apesar de seu agir ainda meio grotesco a experiência o ensinará a ter uma visão mais política do todo. Ele dirige a sua atenção ao povo inteiro desde a esfera governamental até ao homem comum, buscando a todos influenciar. Em suma sua carta dizia que os direitos e deveres dos governantes e dos governados deveriam ter um respaldo bíblico em absoluta consonância com a vontade soberana de Deus. Logo, se é ilegítimo uma mulher governar, eles não deveriam aceitar a regente como tal e nem aqueles que a apoiassem, pois estariam contrariam os ensinos das Escrituras.
11. O Inicio da Reforma Propriamente Dita
Não sabemos até que ponto as cartas de Knox contribuíram para mobilizar o povo às reivindicações dos seus direitos civis e eclesiásticos. Talvez tenham elas sido o estopim se considerarmos que a voz profética do reformador já havia soado várias vezes na Escócia e aquelas palavras certamente haviam calado fundo no coração do povo escocês. De qualquer forma o importante é que o povo já havia começado a mudar suas atitudes já há alguns meses antes da publicação de suas cartas. Em “3 de dezembro de 1557 (um ano antes), seguidores seus subscreveram solene compromisso, que se chamou de primeiro pacto, ou “convenant”, mercê do qual prometiam diante da “Divina Majestade” promover a pregação da palavra de Deus, consolidar a congregação de seu povo, promover-lhes pastores regulares, assisti-los e defende-los contra os ataques ímpios e satânicos com quem teriam fatalmente de defrontar-se”.
A primeira atitude foi encaminhar a regente uma petição regida em termos extremamente respeitosos e cordatos. As petições requeriam o seguinte:
Que fosse sancionada a leitura do livro inglês de oração todo o domingo nas igrejas, aprovada a pregação e leituras de sermões e estudo das Bíblia em salões e lares, facultada a liberdade de interpretação do texto Sagrado nessas reuniões, estabelecida à celebração da Santa Ceia nas duas espécies (pão e vinho) para todos os fiéis comungantes, promovida urgente e séria reforma da vida e conduta da clerezia em geral, que envergonhava a igreja, escandalizava o povo de Deus, servia à corrupção dos costumes e pervertia a moral.
A regente não querendo dizer não de cara para não fomentar um motim, protelava a questão dizendo que cuidaria do caso e que em breve o parlamento daria o parecer a questão. Mas nesse ínterim um velho sacerdote chamado Walter Myln foi acusado de apostasia e imediatamente levado a fogueira, no dia 28 de Abril de 1558, em Sta Andrew. Esse martírio produziu uma forte comoção ao povo que começaram a colocar pedras no local da execução como se quisesse erigir uma memorial a vítima. O povo não o via como um apostata, mas como um mártir. A questão foi aumentando tanto que o clérigo ameaçou de excomunhão quem ousasse colocar uma pedra que fosse ali. Essa medida não teve êxito e os sacerdotes tinham que ir à noite e remover as pedras que não cessavam de ser trazidas.
A confusão estava feita. O povo começou a entrar nas igrejas e lançar mão das imagens e arremessa-las no chão, apesar dos constantes bramidos dos sacerdotes que os amaldiçoavam dizendo que receberiam penas e tormentos no inferno. Pregadores foram intimidados a comparecem diante dos tribunais, mas eles não estavam sozinhos o povo estava com eles e ninguém tinha coragem de ousar fazer-lhes mal.
John Knox não poderia ficar fora de tudo isso, ademais, apesar de estar longe tinha ele sido o mentor de tudo. A presença de Knox em solo escocês era de suma importância tanto para liderar e instigar os ânimos dos reformistas como para conter os abusos daqueles que ali estavam mais pelos burburios ou por interesses políticos do que desejosos de ver a nação regida sobre os princípios da verdadeira religião. A chegada de Knox trouxe grande preocupação à regente e seus correligionários, de fato deviam temê-lo, pois havia chegado o grande herói da reforma escocesa. O povo e boa parte dos nobres estavam ao lado de John Knox que visava não somente uma reforma religiosa, mas também uma reforma política trazendo a real independência da escócia, pois além de ser regida por uma regente francesa não era de toda livre da presença política desses.
A situação tomou um vulto tão grande que os poucos padres que ficaram tiveram que fugir para a França. O parlamento escocês que já não via com bons olhos as atitudes da regente que governava a Escócia sobre os interesses da França chegaram à conclusão que a melhor atitude era deportar a regente. Knox apesar de não gostar da regente, mas com medo de haver uma instabilidade política no país concordou com a questão desde que assegurassem que o trono fosse entregue a sua filha Maria Stuart e o seu esposo Francisco II. Até que Maria Stuart estivesse em condições subi ao tono a regência do país ficou sobre os cuidados do prestigiado Duque de Arran.
Foi nesse período que a igreja se fortaleceu, pois Knox sabendo que a futura rainha era católica ferrenha procurou antes de sua chegada fortalecer a igreja reformada como a igreja nacional da Escócia. Assim, quando a rainha chegou pouco ou nada pode fazer para mudar isto. Ela também não foi um páreo fácil, mas, o irredutível Knox tinha o apoio da lei e do povo. Finalmente a igreja presbiteriana havia se estabelecido como a igreja nacional da Escócia. Mas a luta inda não estava concluída. Com a subida ao trono em 1583 (John Knox já havia falecido) de James VI a igreja voltou a ter os seus reveses, pois James se tornou rei tanto da Escócia quanto da Inglaterra querendo esse agora transformar a igreja nacional (presbiteriana) em Anglicana (igreja oficial da Inglaterra). Mas os discípulos de Knox continuaram aguerridos como o seu mestre e não deixaram que isso viesse a acontecer. Somente em 1638 quando foi assinado um tratado chamado National Covenant (pacto nacional) é que a igreja deixou de receber as investidas que tentavam destruir a igreja presbiteriana na Escócia.
Devemos nos orgulhar em saber que somos frutos de uma igreja que foi forjada em meio a muitas lutas. Lutas essas que visavam tão somente salvaguardar a pureza do evangelho tão corrompida pela igreja católica.
12. A Morte do Paladino da Reforma Escocesa
Knox amava tanto a sua igreja que na noite que antecederia a sua morte com muitas dores e se sentindo muito fraco recitou a oração do Pai nosso e como se estivesse meio adormecido de tempo em tempo ele sussurrava dizendo: “A Kirk... a Kirk... a Kirk”, uma maneira de dizer igreja em escocês. No outro dia não conseguindo nem mesmo pegar a sua Bíblia pedia para a sua esposa Margaret (sua segunda esposa, a primeira tinha falecido) que lesse para ele o capítulo 15 da primeira carta aos coríntios e para com todos tinha uma palavra de benção e exortação, apelando a que não fraquejassem na fé, não desamparassem a Kirk, fossem fiéis à causa de Cristo e a Escócia livre e soberana. Morre Knox pouco antes das 11 horas da noite de 24 de novembro de 1572. Tinha ele 59 anos. Deixando para trás a sua jovem esposa três filhas que tivera com ela e dois filhos que tivera com a primeira esposa que havia falecido. Os meninos moravam com a avó materna.

A TRADIÇÃO REFORMADA NO TERCEIRO MUNDO

Por Alderi Souza de Matos



A fé reformada implantou-se inicialmente no hemisfério norte (Europa e América do Norte). Depois, foi levada para várias regiões de colonização anglo-saxônica em outros continentes. Por fim, deitou raízes entre as populações locais de muitos países do chamado “terceiro mundo” – Ásia, África e América Latina. A seguir, são apresentados alguns casos significativos, com dados estatísticos referentes em especial às igrejas presbiterianas.


1. Ásia. O esforço missionário levou a fé reformada para várias regiões desse continente ainda no século 19. Tal foi o caso da China, onde os missionários presbiterianos chegaram em 1844. Hoje, apesar de mais de meio século de regime comunista, as igrejas continuam crescendo, embora o número de adeptos não seja conhecido. Na ilha de Taiwan ou Formosa (China Nacionalista) existe uma forte igreja presbiteriana com 222 mil membros. Na Índia, existem muitos presbiterianos em duas organizações: a Igreja do Sul da Índia e a Igreja do Norte da Índia; a igreja presbiteriana, com 800 mil membros, é a maior denominação do nordeste do país. Na Indonésia, existem muitos grupos reformados, sendo a principal causa das divisões o regionalismo (são 13 mil ilhas). Caso mais intrigante é o da Coréia do Sul, onde o presbiterianismo chegou em 1884. Devido a uma série de controvérsias, hoje existem mais de cem denominações presbiterianas! As seis maiores totalizam acima de 4 milhões de membros. Outros dois casos surpreendentes são o Paquistão, um país fortemente islâmico, cuja igreja presbiteriana tem 400 mil membros, e o arquipélago de Vanuatu, no Pacífico Sul, com uma população de 177 mil habitantes, dos quais 57 mil estão filiados à igreja presbiteriana.


2. África. Nesse continente, as maiores igrejas presbiterianas estão em cinco países. No Quênia, a Igreja Presbiteriana do Leste da África tem 3 milhões de membros; no Congo, as várias denominações presbiterianas totalizam cerca de 1,4 milhão de pessoas; em Camarões, os três grupos principais somam 1 milhão de membros; em Malawi, a Igreja Presbiteriana da África Central tem 770 mil fiéis; e em Gana duas igrejas presbiterianas possuem em conjunto 600 mil membros. No que diz respeito a igrejas reformadas, as maiores são as da Nigéria (mais de 3 milhões em vários grupos) e de Zâmbia, com meio milhão. Outros casos marcantes são o Sudão, no qual a comunidade presbiteriana vem crescendo em meio a intensos sofrimentos causados pela guerra civil e a repressão religiosa (são 450 mil fiéis); o Togo, cuja Igreja Presbiteriana Evangélica tem 300 mil membros; e a torturada Ruanda, palco de um recente genocídio, que tem 120 mil presbiterianos. Nos países de língua portuguesa, Moçambique conta com 100 mil presbiterianos, em contraste com a pequenina Igreja Presbiteriana de Angola. As igrejas reformadas da África se destacam pelo seu grande crescimento e sua forte identidade africana.


3. América Latina. Apenas dois países ibero-americanos possuem comunidades presbiterianas de maior expressão: México e Brasil. A Igreja Presbiteriana Nacional do México, cujos primórdios remontam a 1872, possui 1,2 milhão de membros, sendo a segunda maior denominação evangélica do país. No Brasil, todos os grupos presbiterianos e reformados somam entre 700 mil e 1 milhão de pessoas. Existem pequenas denominações presbiterianas em muitos outros países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Guatemala, Guiana (Inglesa), Paraguai, Peru e Venezuela. Muitas dessas igrejas tiveram ou têm estreitas relações com a Igreja Presbiteriana do Brasil.